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Veja dicas de como se proteger do Ruído de Carnaval

Criança com expressão de incômodo tapa os ouvidos diante de sons altos

O Carnaval é uma das festas mais aguardadas no Brasil. Ruas tomadas por blocos, trios elétricos, desfiles de escolas de samba, bailes e festas privadas criam um cenário de alegria, música e celebração coletiva. No entanto, junto com toda essa energia, surge um fator que merece atenção especial: o excesso de ruído.

A exposição prolongada a sons intensos durante o Carnaval pode trazer consequências sérias para a saúde auditiva, muitas vezes subestimadas pelos foliões. Zumbido, sensação de ouvido tampado, dificuldade para ouvir e até perda auditiva permanente estão entre os problemas mais comuns associados a ambientes extremamente barulhentos.

Neste post, você vai entender por que o Carnaval representa um risco auditivo, quais são os principais danos causados pelo excesso de ruído, quais ambientes exigem mais cuidado e, principalmente, como adotar medidas simples e eficazes para proteger seus ouvidos durante a folia.

Por que o Carnaval exige atenção redobrada com a saúde auditiva?

A audição é um dos sentidos mais importantes para a comunicação, o lazer e a percepção do mundo ao nosso redor. Ainda assim, apesar de sua relevância para a qualidade de vida, muitas pessoas só passam a valorizar a saúde auditiva quando surgem os primeiros sinais de prejuízo.

Grupo de pessoas fantasiadas e maquiadas celebra o Carnaval ao ar livre

Nesse contexto, durante o Carnaval, o risco aumenta de forma significativa, já que a exposição ao som alto costuma ser intensa, contínua e repetida ao longo de vários dias. Isso acontece também porque músicas amplificadas, instrumentos de percussão, caixas de som potentes, gritos e grandes multidões se combinam e criam um ambiente sonoro que frequentemente ultrapassa os limites considerados seguros para o ouvido humano.

Além desses fatores, durante o Carnaval, é comum que as pessoas permaneçam por horas seguidas nesses ambientes, muitas vezes sem realizar pausas adequadas para o descanso auditivo. Como resultado, a soma entre intensidade sonora elevada, tempo excessivo de exposição e ausência de recuperação torna a folia um período especialmente crítico para o surgimento e a progressão de problemas relacionados à audição.

O que acontece com o ouvido quando o som é muito alto?

O ouvido humano possui estruturas extremamente delicadas, responsáveis por transformar as vibrações sonoras em impulsos nervosos que o cérebro interpreta como som. Dentro da cóclea, localizada no ouvido interno, encontram-se as células sensoriais conhecidas como células ciliadas, que desempenham um papel essencial no processo da audição.

No entanto, quando uma pessoa é exposta a ruídos intensos por longos períodos, essas células podem sofrer lesões progressivas. O grande problema é que, diferentemente de outras células do corpo, as células ciliadas não se regeneram, e isso significa que os danos causados pelo excesso de ruído tendem a ser irreversíveis.

Como consequência desse processo, podem surgir sintomas como zumbido persistente, sensação de ouvido tampado ou pressão, dificuldade para compreender a fala, especialmente em ambientes com ruído de fundo, e até perda auditiva temporária. E, com exposições repetidas, esse quadro pode evoluir para uma perda auditiva permanente.

“O ruído prolongado gera lesão das células ciliadas, localizadas na cóclea, que faz parte da nossa orelha interna. A função destas células é receber as ondas sonoras e transformar em impulso nervoso, que é enviado ao cérebro e se consolida como uma informação. Em situações em que as células são constantemente lesadas, a pessoa inicia um quadro de perda auditiva neurossensorial, que é irreversível. Quanto maior e mais longa a exposição, maior a perda.”

Dr. Carlos Barone, otorrinolaringologista

Ademais, muitas vezes, esses sinais aparecem de forma discreta e acabam sendo ignorados. No entanto, a repetição da exposição ao som alto acelera o desgaste do sistema auditivo ao longo dos anos, comprometendo de maneira definitiva a saúde da audição.

Principais fontes de ruído no Carnaval e suas consequências

Durante o Carnaval, diferentes ambientes apresentam níveis elevados de ruído, cada um com seus próprios riscos para a saúde auditiva. A combinação entre música alta, multidões e longos períodos de exposição torna esses cenários especialmente desafiadores para os ouvidos.

Por esse motivo, conhecer os principais ambientes de risco ajuda a compreender por que a proteção auditiva é tão importante durante a folia. A seguir, veja como diferentes contextos carnavalescos podem impactar a audição.

Ruídos em avenidas e desfiles

Os desfiles de escolas de samba e as apresentações realizadas em grandes avenidas costumam atingir níveis sonoros superiores a 115 decibéis. Nesse patamar, o tempo de exposição considerado seguro é extremamente curto, podendo se limitar a apenas alguns minutos. Ainda assim, muitos foliões permanecem nesses locais por períodos prolongados, sem perceber os riscos envolvidos.

Como consequência, ficar exposto por longos períodos a esse nível de ruído, sem qualquer tipo de proteção auditiva, aumenta de forma significativa o risco de trauma acústico. Esse tipo de lesão pode provocar zumbido persistente, sensação de ouvido tampado e até perda auditiva.

Bloquinhos de rua

Cornetas, tambores, vuvuzelas e caixas de som portáteis criam um cenário sonoro intenso nos blocos de rua, caracterizado por uma sobreposição constante de estímulos sonoros. Em muitos casos, os níveis de ruído chegam a mais de 110 decibéis, especialmente quando há grande concentração de pessoas e equipamentos de som espalhados pelo percurso.

Mãos levantadas segurando instrumentos de percussão coloridos

Nesse contexto, a exposição prolongada a esse volume elevado pode sobrecarregar o sistema auditivo de forma significativa. Sem pausas ou proteção adequada, os foliões ficam mais suscetíveis ao surgimento de zumbido, sensação de ouvido tampado e fadiga auditiva, que podem se intensificar ao longo dos dias de Carnaval.

Bailes e festas em ambientes fechados

Em salões, clubes e casas de festas, o som tende a se concentrar ainda mais, podendo ultrapassar 115 decibéis. Isso ocorre porque, em ambientes fechados, as ondas sonoras se refletem nas paredes e no teto, intensificando o impacto do ruído sobre a audição.

Como consequência, esse tipo de exposição favorece o surgimento de sintomas como tontura, desconforto, sensação de ouvido tampado e zumbido. Quando a permanência nesses locais é prolongada e não há pausas ou proteção auditiva, os riscos de danos à audição se tornam ainda maiores, podendo até mesmo causar problemas irreversíveis.

Trios elétricos

Os trios elétricos são uma das marcas registradas dessa festa e fazem parte da experiência de muitos foliões. No entanto, eles também figuram entre as principais fontes de som intenso durante a festa, com níveis que podem alcançar cerca de 110 decibéis.

Além disso, quanto mais próximo a pessoa permanece da fonte sonora, maior é o impacto direto nos ouvidos. E, a exposição prolongada nessa condição aumenta as chances de zumbido, sensação de ouvido tampado e fadiga auditiva, especialmente quando não há pausas ou uso de proteção adequada.

Como se proteger dos ruídos do Carnaval?

A boa notícia é que é possível aproveitar a folia sem abrir mão da saúde auditiva. Com informação e atenção aos próprios limites, é totalmente viável curtir o Carnaval de forma mais segura, sem comprometer o bem-estar a curto e longo prazo. Nesse sentido, adotar algumas medidas simples no dia a dia da festa faz toda a diferença.

7. Invista em soluções acústicas

Para quem prefere passar o Carnaval em casa, longe da agitação dos blocos e das ruas lotadas, o excesso de ruído externo também pode ser um incômodo significativo. Sons de trios elétricos, festas próximas e movimentação intensa podem invadir os ambientes e comprometer o descanso, o conforto e até a qualidade do sono.

Casal usando adereços carnavalescos comemora em casa, jogando confetes e celebrando o Carnaval em um ambiente silencioso

Nesses casos, investir em soluções acústicas é uma estratégia eficiente para reduzir a entrada de ruídos indesejados. Alternativas como portas e janelas antírruido ajudam a criar um ambiente mais silencioso e agradável, mesmo durante os dias mais barulhentos do Carnaval.

As soluções acústicas da Atenua são ideais para quem busca mais conforto e tranquilidade dentro de casa. Com tecnologias pensadas para minimizar o impacto dos sons externos, é possível aproveitar a festa com mais bem-estar, protegendo a saúde auditiva e garantindo momentos de descanso, leitura ou lazer sem interferências sonoras.

6. Use protetores auriculares

Os protetores auriculares são uma das formas mais eficazes de reduzir o impacto do som intenso nos ouvidos durante o Carnaval. Atualmente, existem diferentes modelos disponíveis no mercado, desde opções descartáveis até versões reutilizáveis e personalizadas, que se adaptam melhor ao formato do ouvido.

Esses dispositivos ajudam a atenuar o ruído sem eliminar completamente o som do ambiente. Dessa forma, é possível curtir a música, acompanhar os blocos e participar das festas com mais segurança, reduzindo significativamente o risco de danos à audição.

5. Mantenha distância das fontes de som

Sempre que possível, evite ficar próximo a caixas de som, trios elétricos e instrumentos de percussão durante o Carnaval. Esses equipamentos costumam emitir níveis muito elevados de ruído, especialmente em eventos ao ar livre e com grande concentração de pessoas.

“Como regra, sons acima de 85 decibéis podem ser prejudiciais se a exposição for prolongada. Quanto mais alto o som, menor deve ser o tempo de exposição. Em ambientes como blocos de Carnaval, onde o som pode exceder facilmente esse limite, é prudente manter a maior distância possível das caixas de som e limitar o tempo de exposição”

Marco Viana, otorrinolaringologista

Quanto maior a distância em relação à fonte sonora, menor será a intensidade do som que chega aos seus ouvidos. Essa simples mudança de posicionamento já contribui para reduzir a sobrecarga auditiva e diminuir os riscos de zumbido, desconforto e danos à audição.

4. Faça pausas regulares

Dar intervalos para os ouvidos descansarem é essencial durante o Carnaval, especialmente em dias de exposição prolongada ao som alto. A permanência contínua em ambientes barulhentos sobrecarrega o sistema auditivo e aumenta o risco de desconfortos e danos.

Por isso, sempre que possível, afaste-se do barulho por alguns minutos ao longo do dia e busque locais mais silenciosos. Essas pausas permitem que os ouvidos se recuperem gradualmente e ajudam a reduzir o risco de lesões auditivas.

3. Atenção ao tempo de exposição

Quanto mais tempo você permanece em ambientes barulhentos, maiores se tornam os riscos para a saúde auditiva. A exposição prolongada ao som alto sobrecarrega o sistema auditivo e aumenta as chances de zumbido, desconforto e fadiga auditiva.

Por esse motivo, intercalar momentos de festa com períodos de descanso é uma estratégia inteligente e necessária. Essas pausas ajudam os ouvidos a se recuperarem gradualmente e contribuem para a preservação da audição, mesmo em períodos de maior intensidade sonora.

2. Preze por um sono de qualidade

Um local silencioso na hora do sono faz toda a diferença não apenas para recarregar as energias, mas também para garantir o descanso adequado da audição. Após longos períodos de exposição ao ruído durante a festa, o organismo precisa de momentos de recuperação.

Homem dormindo profundamente em uma cama com lençóis brancos, representando as fases do sono.

Por esse motivo, sempre que possível, prefira um local tranquilo para dormir, longe de sons intensos e estímulos excessivos. Um ambiente silencioso contribui para a recuperação do sistema auditivo e melhora a qualidade do sono.

1. Dê férias aos seus ouvidos

Se durante o período de festas não for possível ficar longe do barulho, é importante pensar na recuperação da audição após o Carnaval. A exposição intensa e repetida ao som alto exige que o sistema auditivo tenha tempo para se restabelecer.

Nesse sentido, na semana seguinte à folia, procure dar o máximo de sossego possível aos seus ouvidos. Evite o uso de fones de ouvido, reduza o volume da música e prefira locais mais silenciosos, permitindo que a audição se recupere de forma adequada.

Após o Carnaval, quando devo procurar um especialista?

Se após o Carnaval você notar sintomas como zumbido persistente, dificuldade para ouvir ou sensação de pressão nos ouvidos, é importante buscar orientação profissional. Pois, a avaliação precoce permite identificar possíveis danos e iniciar o acompanhamento adequado, evitando a progressão do problema.

Ademais, após horas de exposição ao som alto, muitas pessoas percebem um zumbido persistente ou a sensação de ouvido tampado, esses sintomas não devem ser encarados como algo normal ou inofensivo. Se persistirem por mais de 24 a 48 horas, é fundamental procurar um profissional de saúde para avaliação adequada, pois podem indicar um trauma auditivo.

Por fim, o Carnaval é sinônimo de alegria, música e celebração, mas a diversão não precisa acontecer à custa da saúde. Pequenas mudanças de hábito são suficientes para reduzir os riscos e garantir que você continue aproveitando sons, conversas e experiências ao longo de toda a vida.

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