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Amigas do bom som

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Morar perto do centro também significa estar próximo da concentração de pessoas e carros, do comércio e do barulho que tudo isso produz. Por isso, é comum instalar janelas antirruído em pelo menos um dos cômodos, geralmente o quarto. Foi o que fez a arquiteta Renata Pedrosa, da Sub Estúdio, em seu apartamento, no Edifício Eiffel, na Praça da República. “Só tive dinheiro para colocar uma janela acústica, por isso escolhi a do quarto, para conseguir dormir”, conta ela, que gastou R$ 16 mil na obra.

Renata escolheu um modelo recuado para não interferir na fachada do prédio, assinado por Oscar Niemeyer. É a chamada janela sobreposta, que, no caso de uma abertura do chão ao teto, requer área extra. Já nas janelas tradicionais, as estruturas sobrepostas são parafusadas na parede em volta, do lado interno do ambiente, e demoram cerca de uma hora para serem instaladas.

O outro tipo é a embutida – que pode levar até dois dias para ser instalada, caso seja necessário mexer na alvenaria –, colocada no vão da antiga janela, que pode ser retirada ou não. “Quando há um vão mais largo, é possível colocar outra janela sem precisar tirar a original”, diz a gerente de marketing da Atenua Som, Nicole Fischer, que cita vantagens em ter duas janelas. “Por mais que não reduza tanto o ruído, alguma porcentagem a janela existente ameniza. Portanto, ela acaba sendo mais uma barreira para o barulho.”

Uma janela acústica consegue isolar de 30 a 40 decibéis, reduzindo de 50% a 80% do ruído percebido. Para conseguir tal efeito, o conjunto antirruído envolve uma série de elementos. Entre eles, a esquadria tem um papel fundamental, já que um rebite ou um furinho podem comprometer a performance de todo o conjunto. Por isso, elas precisam ser mais densas. A mais usada no Brasil é a de alumínio, que tem desenho interno apropriado para impedir a passagem de ar.

A vedação é feita com escovas e borrachas, espalhadas por todos os vãos, do trilho, nas janelas de correr, até o do parafuso na parede.

O elemento principal, porém, é o vidro, que pode ser duplo, triplo ou quádruplo, dependendo do tipo de ruído que se quer barrar. Para abafar o som do trânsito, o mais indicado é o triplo, formado por vidro de 4 mm, câmera de ar de 6 mm e vidro laminado (com película no meio) de 6 mm, chegando a uma espessura de 16 mm – bem superior à de uma janela comum, geralmente de 4 mm – e custa em torno de R$ 2.500 (o modelo de 1,20 x 1,20 m). “Elas são mais caras justamente por causa de todos esses detalhes”, explica Nicole.

O cuidado passa a ser com o barulho de dentro

Assim como isola o ruído exterior, a janela acústica impede a saída do som interno. “Ele bate na janela e volta”, explica o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) Marcelo de Mello Aquilino. Por isso, ele recomenda ter por perto poucos objetos de vidro, que favorecem a reverberação sonora. Outro problema causado pela janela antirruído é falta de renovação do ar, o que exige, geralmente, a instalação de aparelho de ar-condicionado.


Texto acima foi publicado no Blog Casas – O Estado de S.Paulo – Por Ana Paula Garrido