Que doenças o barulho de aeroporto pode causar?

Homem de terno em um aeroporto, segurando uma mala enquanto observa um avião decolando pela janela

A proximidade com aeroportos é uma realidade para milhões de pessoas no Brasil e no mundo. E, embora a mobilidade aérea seja essencial para a economia e para a integração entre regiões, ela traz um efeito colateral frequentemente subestimado: o ruído constante das aeronaves. Mais do que um simples incômodo, a exposição prolongada ao barulho de aeroporto tem sido associada, por estudos científicos, a uma série de impactos negativos à saúde física e mental.

Ao longo dos últimos anos, pesquisas conduzidas por instituições como a University College London, o Imperial College London e o Instituto Karolinska, vêm reforçando o alerta importante de que o ruído, especialmente aquele gerado por aeronaves, pode contribuir para o desenvolvimento de diversas doenças.

Neste post, você vai entender de forma clara e aprofundada quais doenças o barulho de aeroporto pode causar, quais medidas você pode tomar e por que o controle do ruído deve ser encarado como uma questão de saúde pública.

Por que o barulho de aeroporto merece atenção?

Diferentemente de outros sons urbanos, como o tráfego de carros ou trens, o ruído de aeronaves possui características que dificultam a adaptação do organismo. Ele é mais intenso, imprevisível e frequentemente ocorre em horários sensíveis, como à noite e na madrugada. Essa combinação faz com que o corpo seja submetido repetidamente a estímulos de estresse, mesmo quando o indivíduo não percebe conscientemente o barulho.

Ademais, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece limites considerados seguros para a exposição ao ruído ambiental, recomendando até 50 decibéis durante o dia e 45 decibéis no período noturno em áreas residenciais. Mas, no entorno de aeroportos, esses níveis são com frequência ultrapassados, expondo a população a uma condição contínua de sobrecarga sonora e risco à saúde.

Mulher de olhos fechados com expressão de tranquilidade enquanto tampa os ouvidos com as mãos, simbolizando proteção contra ruídos e busca por silêncio.

Esse cenário ajuda a explicar por que o controle do ruído deve ser encarado como uma questão de saúde pública. Quando grandes grupos populacionais são expostos diariamente a níveis elevados de barulho, os impactos deixam de ser individuais e passam a afetar o sistema de saúde como um todo, aumentando a incidência de doenças crônicas, a demanda por atendimentos médicos e os custos sociais associados à perda de qualidade de vida.

Que problemas esse tipo de ruído ocasiona?

Agora que você já entendeu por que o barulho de aeroporto merece atenção, é natural surgir a pergunta sobre quais impactos concretos esse tipo de exposição pode trazer para a saúde. A ciência vem mostrando que o ruído contínuo não é apenas desconfortável; ele também pode funcionar como um gatilho biológico que, com o tempo, influencia a saúde de forma ampla.

Isso acontece porque sons intensos e imprevisíveis tendem a colocar o organismo em estado de alerta repetidas vezes. Como consequência, o sistema nervoso se ativa com mais frequência, aumentando a liberação de hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina. Além disso, quando o ruído ocorre à noite, ele atrapalha o “modo de recuperação” do corpo, piorando a qualidade do sono e impedindo que funções importantes aconteçam como deveriam.

Com o passar do tempo, essa combinação (estresse + sono fragmentado + alterações hormonais) pode favorecer inflamação crônica, desregulação metabólica e sobrecarga cardiovascular. E, é justamente esse efeito em cadeia que ajuda a explicar por que o barulho de aeronaves pode impactar diferentes áreas do organismo, indo muito além do sistema auditivo. Para deixar tudo mais claro, a seguir vamos apresentar separadamente alguns dos principais problemas associados a esse tipo de ruído.

Saúde cardiovascular

Um dos impactos mais consistentes observados pela ciência diz respeito à saúde do coração. Estudos que analisaram populações vivendo próximas a grandes aeroportos identificaram um risco aumentado de eventos cardiovasculares graves, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

Homem com a mão sobre o peito, destacando dor ou desconforto cardíaco. A imagem pode ilustrar os efeitos do estresse causado pela poluição sonora no bem-estar físico.

Além disso, essas pesquisas revelaram que moradores de áreas com maior exposição ao ruído de aeronaves apresentam uma probabilidade entre 10% e 20% maior de desenvolver problemas cardiovasculares quando comparados a pessoas que vivem em locais mais silenciosos.

Ademais, além dos eventos clínicos, exames de imagem detalhados do coração mostraram mudanças estruturais importantes em indivíduos expostos cronicamente ao ruído. Entre as alterações mais frequentes estão o espessamento e o enrijecimento do músculo cardíaco.

Essas mudanças fazem com que o órgão tenha mais dificuldade para se contrair e relaxar adequadamente, reduzindo a eficiência no bombeamento do sangue. Com o tempo, esse esforço adicional pode evoluir para insuficiência cardíaca e outras complicações graves.

Saúde do sono

Durante o sono, o corpo entra em uma fase essencial de recuperação fisiológica,  e desse modo, diferentes sistemas reduzem seu ritmo de funcionamento, permitindo a restauração do equilíbrio cardiovascular, hormonal e neurológico. No entanto, quando o barulho de aviões invade esse período, esse processo é interrompido, comprometendo não apenas o descanso, mas também funções ligadas ao coração, ao humor, à memória, à concentração e ao desempenho cognitivo.

“Todo e qualquer ruído elevado no período noturno pode levar a um maior índice de despertares, piorando a qualidade do sono, o que gera diversas consequências deletérias para nossa saúde, tais como: aumento dos índices de ansiedade, hipercortisolismo, hipertensão arterial, sobrepeso e resistência insulínica. A longo prazo, isso leva a um aumento do risco cardiovascular.”

Carlos Rassi, médico cardiologista

A exemplo, em condições normais, a frequência cardíaca e a pressão arterial tendem a diminuir durante o sono. Contudo, a exposição ao ruído noturno pode impedir essa redução, fazendo com que o coração continue trabalhando de forma mais intensa do que o esperado. E, com o tempo, esse esforço adicional contribui para a sobrecarga cardíaca, elevação persistente da pressão arterial e maior risco de arritmias.

Outrossim, quando o cérebro reage ao som, ele ativa respostas de estresse que mantém elevados os níveis de cortisol e adrenalina. Esse mecanismo não afeta apenas o coração, mas também interfere na regulação do apetite, no controle da glicose, no equilíbrio emocional e na qualidade do sono profundo. Assim, a fragmentação do sono causada pelo ruído reforça um efeito sistêmico, no qual diferentes áreas do organismo são impactadas de forma simultânea e progressiva.

Saúde hormonal e metabólica

O impacto do barulho de aeroporto não se limita ao coração, pelo contrário, ele também alcança sistemas diretamente ligados ao equilíbrio hormonal e metabólico. Diversas pesquisas apontam uma relação consistente entre a exposição crônica ao ruído e alterações hormonais, especialmente o aumento persistente de cortisol.

Como consequência desse estímulo contínuo, níveis elevados de cortisol tendem a favorecer o acúmulo de gordura corporal, sobretudo na região abdominal. Podendo evoluir para um tipo de obesidade que influencia outros tipos de problemas, como doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

“Trata-se de um aumento correspondente a 1,5 centímetro por cada aumento de 5 decibéis no nível sonoro […] A obesidade abdominal é um fator de risco, tanto para as doenças cardiovasculares quanto para o diabetes, e como uma parte importante da população está exposta diariamente a níveis sonoros altos produzidos pelos meios de transporte, o ruído, portanto, poderia ter efeitos para a saúde mais sérios do que pensávamos”

Charlotta Eriksson, cientista que coordenou a pesquisa do Instituto Karolinska

Ademais, estudos observaram um padrão progressivo, onde à medida que o nível sonoro aumentava, também crescia a circunferência abdominal dos participantes da pesquisa, indicando que mesmo variações relativamente pequenas nos decibéis podem gerar impactos mensuráveis na composição corporal.

Saúde mental

Nos últimos anos, as pesquisas também passaram a investigar de forma mais aprofundada a relação entre o ruído ambiental e a saúde neurológica. Nesse contexto, alguns estudos sugerem que viver em áreas expostas a níveis elevados e contínuos de poluição sonora pode estar associado a um risco maior de declínio cognitivo e até de desenvolvimento de quadros de demência.

Embora os mecanismos ainda estejam em fase de investigação, as evidências apontam para um caminho bastante consistente. De modo geral, acredita-se que a exposição prolongada ao ruído alinhada ao estresse crônico, inflamação sistêmica e distúrbios persistentes do sono, podem comprometer o funcionamento do cérebro ao longo do tempo.

Além desses efeitos neurológicos, o barulho constante também impacta diretamente o bem-estar psicológico. Com o passar do tempo, a irritação frequente, a dificuldade de relaxar e a perda contínua da qualidade do sono tendem a se somar, contribuindo para o surgimento de quadros de ansiedade, aumento da irritabilidade e sensação de exaustão mental.

Saúde respiratória

A proximidade entre aeroportos e residências, expõe os moradores à poluição atmosférica gerada pelas aeronaves e pelo aumento do tráfego terrestre na região. Essa combinação pode agravar ou desencadear doenças respiratórias.

Homem com expressão de mal-estar, tossindo e segurando o peito

Entre os problemas mais frequentemente associados estão infecções respiratórias recorrentes, como resfriados, gripes, sinusites, faringites e otites. Em pessoas com doenças respiratórias pré-existentes, como asma ou bronquite, a exposição contínua pode intensificar os sintomas.

Estratégias de prevenção ao barulho de aeroporto

Para quem vive próximo a aeroportos, algumas medidas práticas podem ajudar a reduzir os impactos do ruído no dia a dia. Entre elas, destaca-se o investimento em isolamento acústico residencial, que contribui diretamente para a diminuição da exposição sonora contínua, especialmente durante períodos de descanso.

Nesse contexto, soluções como janelas e portas antirruído, desenvolvidas especificamente para bloquear sons externos, tornam-se aliadas importantes. E, as janelas e portas antirruído da Atenua Som são projetadas para reduzir significativamente a entrada de ruídos, favorecendo um ambiente mais silencioso, confortável e propício à recuperação do organismo.

Além das intervenções no ambiente, manter hábitos saudáveis também exerce papel fundamental. Controlar fatores de risco cardiovasculares, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e priorizar a qualidade do sono ajudam a reduzir os efeitos do estresse crônico associado à poluição sonora.

No entanto, é válido ressaltar que, ações individuais precisam caminhar junto a medidas estruturais. Sendo assim, planejamento urbano adequado, restrições a voos noturnos e regulamentações mais rigorosas sobre níveis de ruído aceitáveis em áreas residenciais são estratégias essenciais para proteger a saúde coletiva.

Mulher tampando os ouvidos com expressão de incômodo, representando desconforto causado por ruídos altos ou poluição sonora.

Por fim, o barulho de aeroporto vai muito além de um simples desconforto. Pois, a exposição prolongada a níveis elevados de ruído pode afetar o coração, o metabolismo, o cérebro, o sistema respiratório e o equilíbrio emocional. Desse modo, reconhecer o ruído como um fator de risco à saúde é essencial para promover ambientes mais saudáveis e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

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